Brasil bate recorde de emplacamentos em setembro e moto já é 45% do mercado
O Brasil fechou setembro de 2026 com o melhor resultado da história para o mês: 509.686 veículos emplacados. O dado é da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) e representa crescimento de 8,32% sobre setembro de 2025. Mas o número que realmente conta a história está no acumulado do ano: entre janeiro e setembro de 2026, as motocicletas já representam 45% de todos os veículos emplacados no país. Em 2011, esse percentual era de 37%. A moto não é mais coadjuvante — ela é protagonista.

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De 37% para 45%: o que esse salto significa
Em 2011, a cada 100 veículos emplacados no Brasil, 37 eram motos. Em 2026, esse número chegou a 45. Pode parecer pouco, mas essa mudança representa uma transformação profunda em como o brasileiro se move pelas cidades.
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, foram emplacadas 1.783.971 motocicletas — alta de 10,54% sobre o mesmo período de 2025. Só em setembro, 205.032 motos saíram das concessionárias. Para ter uma ideia do tamanho disso: é como se uma cidade do porte de Ribeirão Preto tivesse comprado uma moto nova em apenas 30 dias.
A Fenabrave projeta o encerramento de 2026 com mais de 5,3 milhões de veículos emplacados no total — crescimento de 8,6% sobre o ano anterior. Para as motos, a projeção é de mais de 2,4 milhões de unidades no ano, o que seria um recorde histórico.

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As motos que o Brasil mais comprou em setembro
Quem lidera esse crescimento? A Honda domina com força. Em setembro, a marca emplacou 137.408 motocicletas — mais de 67% do total do mês. A CG 160 foi a moto mais vendida do país, com 48.835 unidades. Na sequência vieram a Pop 110i (24.277) e a Biz (23.355), mostrando que o motor do mercado ainda é a moto de trabalho e uso diário.
A Yamaha ficou em segundo lugar entre as marcas, com 28.787 unidades, seguida pela Shineray (11.174), que segue crescendo no Brasil. No segmento de aventura, a Honda XRE 300 Sahara teve 4.462 emplacamentos, confirmando o apetite do brasileiro por motos versáteis.

Foto: Site Oficial Honda Motos Brasil

Foto: Site Oficial Honda Motos Brasil

Foto: Site Oficial Yamaha Motos Brasil
Na prática: o que isso muda para quem pilota
Com mais motos nas ruas, o cotidiano de quem pilota também muda. O lado bom: mais concessionárias, mais peças disponíveis, mais gente entendendo as necessidades do motociclista. O lado que exige atenção: o trânsito fica mais disputado e os riscos aumentam quando o volume cresce rápido demais.
O Brasil tem uma frota estimada em mais de 27 milhões de motos. São aproximadamente 42 mil oficinas especializadas ativas no país para atender essa frota. O crescimento de emplacamentos pressiona toda essa cadeia: quem tem oficina precisa de mais mecânicos; quem vende peças precisa de mais estoque; e quem pilota precisa de mais cuidado com manutenção, porque mais motos na rua significa mais concorrência por mão de obra especializada.
Outro reflexo direto: o mercado de seguros começou a se mexer. A Porto Seguro triplicou sua rede de oficinas referenciadas para motos entre 2024 e 2025 — de 130 para 391 unidades. A tendência é que mais seguradoras ampliem a oferta para motos nos próximos meses, com produtos mais acessíveis.

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A visão dela e a visão dele
Os números do crescimento não são neutros — eles têm rostos, histórias e perspectivas diferentes.
A visão dela: as mulheres são hoje 24,9% dos motociclistas habilitados no Brasil. Em dez anos, o número de mulheres com habilitação categoria A cresceu 65,8% — de 6 milhões para mais de 10 milhões. E elas já respondem por 31% das compras de motos novas, segundo a Abraciclo. Para muitas pilototos, a moto é a resposta prática para uma rotina que exige agilidade: trabalho, filhos, agenda cheia. E ao mesmo tempo é liberdade, é prazer, é identidade. O crescimento do mercado cria mais opções de modelos e produtos voltados para esse público — o que ainda falta é a indústria escutar de verdade o que as mulheres precisam.
A visão dele: para o piloto que usa a moto como ferramenta de trabalho — entrega, aplicativo, transporte — o aquecimento do mercado tem duas faces. Mais motos nas ruas significa mais concorrência no trânsito e nas plataformas. Mas também significa mais visibilidade política: quando o motociclista representa 45% do mercado, é difícil ignorar as demandas do setor. Sinalização, legislação, infraestrutura — tudo isso passa a ser pauta obrigatória.

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Formação de novos motociclistas: o mercado precisa crescer junto
Com mais gente comprando moto, cresce também a demanda por formação. O governo federal avança com mudanças nas regras de habilitação categoria A, tornando parte do processo mais acessível — as aulas teóricas poderão ser feitas online, e o treinamento prático pode ser feito com instrutores independentes. A medida deve ampliar o número de habilitados e reduzir a quantidade de motociclistas sem carteira.
Mas só ter a carteira não é suficiente. Escolas de pilotagem como a Speed 64 Racing Team e o Centro de Treinamento de Pilotos Suzane Carvalho oferecem cursos que vão muito além da habilitação básica — técnicas de frenagem, pilotagem defensiva, controle em diferentes superfícies. Com a frota crescendo, o ideal é que a formação técnica cresça na mesma proporção.

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A moto como protagonista — e o que vem por aí
Em 15 anos, a participação das motos no mercado brasileiro saltou de 37% para 45%. Se a tendência se mantiver, não vai demorar muito para o número chegar em 50%. Isso não é coincidência — é o reflexo de um país que encontrou na moto a solução mais eficiente para se mover em cidades congestionadas, com custos mais baixos que os carros e uma agilidade que o transporte público raramente entrega.
O crescimento também traz responsabilidades. O setor precisa evoluir junto: mais oficinas qualificadas, mais oferta de seguro acessível, melhores condições nas vias para quem pilota, e mais investimento em formação. A moto ganhou o protagonismo. Agora é hora de garantir que esse crescimento seja sustentável — para a indústria, para o mercado e, principalmente, para quem pilota todos os dias.
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