Dicas de Mecânica

Quando trocar o pneu da moto: 7 sinais que você está ignorando (e como evitar uma queda)

O pneu é o único contato da sua moto com o chão. Quando ele falha, não tem segunda chance.

Luan W Crepaldi

Luan W Crepaldi

· 7 min de leitura

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Pneu traseiro de moto com desgaste visível — saiba quando trocar o pneu da sua moto

Quando trocar o pneu da moto: 7 sinais que você está ignorando (e como evitar uma queda)

O pneu é a única parte da sua moto que toca o asfalto. Toda a força de frenagem, toda a tração na saída de curva, todo o controle em pista molhada — tudo passa por ali. E a área de contato é pequena: menor do que a palma de uma mão. Por isso, um pneu gasto, rachado ou mal calibrado pode significar a diferença entre chegar em casa e terminar a viagem no hospital.

O problema é que a maioria das pessoas ignora os sinais até que seja tarde. Neste guia, você vai saber exatamente o que olhar, o que sentir e quando agir — antes que o pneu decida por você.

Pneu de moto com desgaste visível na banda de rodagem

Foto: INSERIR_CRÉDITO_DA_FOTO

Sinal 1 — O indicador TWI chegou ao limite

Todo pneu tem um indicador chamado TWI, que significa Tread Wear Indicator — ou seja, indicador de desgaste da banda de rodagem. Ele é uma pequena elevação de borracha que fica dentro do sulco principal do pneu. Quando o desgaste chega ao mesmo nível dessa elevação, o pneu atingiu o limite legal de 1,6 mm de profundidade de sulco.

Para encontrar o TWI, olhe na lateral do pneu. Você vai ver a sigla "TWI" ou um pequeno triângulo gravado na borracha. Siga essa marcação com o olho até o sulco correspondente — lá dentro, no fundo, tem um pequeno platô de borracha. Se o pneu já chegou a esse nível, a troca é imediata. Não tem argumento que segure.

Rodar com pneu abaixo do TWI além de perigoso é infração de trânsito — o Código de Trânsito Brasileiro prevê multa e apreensão do veículo.

Rodar com pneu da moto com o TWI abaixo do limite da multa

Foto: Imagem Ilustrativa

Sinal 2 — Rachaduras e fissuras na borracha

Você olha para o pneu e parece ok — não está careca, ainda tem sulco. Mas preste atenção nas laterais. Se aparecerem pequenas rachaduras, fissuras ou um aspecto "ressecado" na borracha, isso é sinal de envelhecimento. A composição da borracha perde flexibilidade com o tempo, especialmente quando o pneu fica exposto ao sol, calor e variações de temperatura.

Isso acontece mesmo em pneus que rodaram pouco. Uma moto que fica parada na garagem por meses também envelhece o pneu. Rachaduras nas laterais indicam que a estrutura interna está se fragilizando — e qualquer impacto maior pode causar um estouro repentino.

Sinal 3 — O pneu tem mais de 5 anos de fabricação

Esse sinal passa despercebido porque o pneu pode estar aparentemente em bom estado. Mas a borracha tem prazo de validade. Os fabricantes recomendam a substituição a partir dos 5 anos de fabricação — e a Michelin vai além: recomenda inspeção anual a partir dos 5 anos e troca obrigatória após 10 anos, independentemente do estado aparente.

Para saber a data de fabricação do seu pneu, procure na lateral um código com 4 números entre parênteses — os dois primeiros indicam a semana e os dois últimos, o ano. Por exemplo: "2321" significa que o pneu foi fabricado na 23ª semana de 2021. Se já passou de 5 anos, é hora de pensar na troca.

Código DOT na lateral do pneu indicando data de fabricação

Foto: Imagem Ilustrativa

Rachaduras e fissuras na lateral de pneu de moto envelhecido

Foto: Imagem Ilustrativa

Sinal 4 — Desgaste irregular: um lado mais gasto que o outro

Passe a mão ao longo do pneu traseiro. Está liso no centro e com sulco nas laterais? Ou está mais gasto de um lado do que do outro? Esses dois padrões indicam problemas.

O desgaste no centro acontece quando o pneu roda superinflado — com pressão acima do recomendado. Nesse caso, só o miolo toca o asfalto, os ombros ficam preservados, mas a aderência cai nas curvas. Já o desgaste nas laterais (ou em um só lado) indica o contrário: pneu murcho, com pressão baixa. O pneu dobra mais nas bordas, fica mais quente e desgasta de forma assimétrica.

Desgaste irregular também pode indicar problemas na suspensão ou na geometria da moto — então além de trocar o pneu, vale investigar a causa com um mecânico de confiança.

Sinal 5 — Bolha ou inchaço na lateral

Esse é o mais perigoso de todos. Se você notar um inchaço, uma "barriga" ou qualquer deformação na lateral do pneu, pare imediatamente. Não tente chegar até a oficina mais rápido — vá devagar, com cuidado, e troque o pneu antes de voltar a rodar normalmente.

A bolha indica que as lonas internas da carcaça se romperam. A pressão do ar está empurrando a borracha externa para fora. Esse pneu pode estourar a qualquer momento — em uma curva, em uma frenagem ou simplesmente andando reto. E ao contrário de um furo comum, bolha não tem conserto. A única solução é trocar.

Bolha e deformação na lateral do pneu de moto

Foto: Imagem Ilustrativa

Desgaste irregular no pneu traseiro de moto — centro liso

Foto: Imagem Ilustrativa

Sinal 6 — A moto está se comportando diferente

Às vezes o aviso não vem pelo olho — vem pelo corpo. Você percebe que a moto está vibrando mais do que o normal. Ou que nas curvas ela não responde com a mesma facilidade. Ou que em piso molhado ela está deslizando mais cedo do que deveria.

Esses sinais de comportamento mudam com o desgaste do pneu. Quando o sulco some, o pneu perde a capacidade de dissipar a água entre ele e o asfalto. Em condição de chuva, a diferença na distância de frenagem entre um pneu novo e um pneu no limite pode chegar a 30% a 40%. Ou seja, se você freia em 10 metros com pneu novo, pode precisar de 14 metros com pneu gasto. Em uma situação de emergência, esses 4 metros fazem toda a diferença.

Sinal 7 — Furos frequentes ou pressão caindo sem motivo

Se o pneu não está claramente furado mas perde pressão toda semana, isso pode indicar um problema na válvula, um micro-furo difícil de localizar ou degradação interna da carcaça. Pneu que não segura a pressão não oferece a aderência certa — e sem aderência, não tem controle.

Verifique a pressão semanalmente. Para a Honda CG 160, por exemplo, a pressão recomendada pelo fabricante é de 29 psi na roda dianteira e 33 psi na traseira com passageiro. Esses valores variam por modelo — consulte o manual da sua moto. O importante é: nunca calibre no olho. Use um manômetro.

Piloto calibrando o pneu da moto com manômetro

Foto: Imagem Ilustrativa

A visão dela e a visão dele

Quem pilota todos os dias sabe que o pneu é assunto de sobrevivência — independente de gênero. Mas a forma como cada um cuida disso no dia a dia tem nuances bem diferentes.

Muitas mulheres que chegam ao motociclismo relatam que ninguém as ensinou a verificar o pneu — e que por muito tempo dependeram de mecânicos ou conhecidos para checar. Com mais informação e autonomia, isso mudou. Hoje, saber identificar os sinais de desgaste é parte do ritual de qualquer pilota que respeita a própria segurança. Não precisa de força, não precisa de ferramenta especial — precisa só de atenção e um minuto antes de sair.

Entre os homens, o erro mais comum é o oposto: a falsa sensação de que "dá pra aguentar mais um pouco". O sulco ainda está lá — mesmo que raso. O pneu ainda não estourou — mesmo que esteja rachado. Essa lógica de empurrar com a barriga custa caro. Um pneu traseiro para a CG 160 custa entre R$ 170 e R$ 220. Um dia no pronto-socorro — fora o susto, o estrago na moto e o tempo parado — custa muito mais.

Piloto acompanhando troca de pneu na oficina mecânica

Foto: Imagem Ilustrativa

Quanto custa trocar e quais marcas valem a pena

Para motos populares como a CG 160, o pneu dianteiro tem medida 80/100-18 e o traseiro 90/90-18. Os preços variam bastante conforme a marca:

  • Pirelli — referência em qualidade, equipa motos zero km das principais montadoras. Pneu para CG 160 a partir de R$ 220 a unidade.

  • Michelin — alto padrão de segurança e ótimo desempenho em pista molhada. Preço similar ao Pirelli.

  • Levorin — marca brasileira com mais de 75 anos de história, certificação Inmetro e homologação pelas montadoras. Boa opção de custo-benefício, a partir de R$ 170 a unidade.

O par de pneus para uma CG 160 com mão de obra fica entre R$ 400 e R$ 600, dependendo da marca escolhida e da oficina. Um investimento que vale mais do que qualquer conserto depois de uma queda.

Pneus de moto novos na prateleira de loja de peças

Foto: Imagem Ilustrativa

O que fazer agora

Você não precisa esperar aparecer problema. Adote o hábito de checar o pneu antes de qualquer saída longa. Olha o sulco. Aperta o pneu com o dedo (se ceder muito, está murcho). Inspeciona as laterais em busca de rachaduras. Lembra a data de fabricação.

Se qualquer um dos 7 sinais deste guia aparecer na sua moto, não empurra — vai direto à oficina. O pneu é o menor custo preventivo que existe no motociclismo. E o maior custo corretivo quando você ignora.

Ficou com dúvida ou quer compartilhar a experiência de quando trocou o pneu da sua moto? Comenta aqui embaixo — e encaminha esse conteúdo para quem você conhece que ainda está rodando com pneu velho.

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Luan W Crepaldi

Escrito por

Luan W Crepaldi

Criador de Conteúdo | Lifestyle Minha melhor aventura: @casalcrepaldi Vida real • Histórias • Experiências Publicidade & Parcerias Equipe Visem TV

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